O radão é um dos perigos mais subestimados de qualquer habitação: invisível, inodoro, insípido – e, ao mesmo tempo, a segunda maior causa de cancro do pulmão a seguir ao tabaco. Forma-se naturalmente no subsolo a partir do urânio presente nas rochas, infiltra-se nos edifícios através de fissuras e juntas de construção, e acumula-se nos espaços interiores – sobretudo em caves e pisos térreos. A boa notícia é que o radão é totalmente evitável. E a melhor forma de o eliminar não é tratá-lo depois de a casa estar construída, mas impedi-lo de entrar logo na fase de fundação, através de uma solução tão simples quanto eficaz: a caixa de ar ventilada.
Principais Conclusões
- O radão é um gás radioativo natural que entra nos edifícios pelo contacto com o solo e se acumula no interior, representando um risco sério para a saúde – é a segunda causa de cancro do pulmão e a primeira em não-fumadores.
- A legislação portuguesa (Decreto-Lei 108/2018) define um nível de referência de 300 Bq/m³ e obriga à avaliação do radão em locais de trabalho, mas as habitações continuam largamente desprotegidas – o que torna a prevenção em fase de construção uma decisão inteligente e antecipada.
- A caixa de ar ventilada realizada com os sistemas Iglu’® e Atlantis cria uma câmara de ar sob o pavimento que, ligada ao exterior por simples tubos, dispersa o radão e a humidade ascendente antes de estes chegarem ao interior da habitação – eliminando o problema na origem.
O Que é o Radão e Porque é Tão Perigoso
Um gás que não se vê, não se cheira e não se sente
O radão é um gás nobre radioativo de origem natural. Resulta do decaimento do urânio e do rádio presentes nas rochas e nos solos, particularmente nos terrenos graníticos. Por ser um gás, migra através das fissuras e dos poros do solo até à superfície. Ao ar livre, dispersa-se na atmosfera e dilui-se até concentrações inofensivas. Mas quando encontra um edifício no seu caminho, a história muda.
A característica mais perigosa do radão é a sua total imperceptibilidade. Não tem cor, não tem cheiro, não tem sabor. Não provoca irritação imediata, não desencadeia sintomas agudos, não deixa rasto visível. Uma família pode viver durante anos numa casa com concentrações elevadas de radão sem nunca suspeitar de nada – até que, décadas depois, surge o problema de saúde que o gás silenciosamente provocou.
A segunda causa de cancro do pulmão
A exposição prolongada ao radão é reconhecida internacionalmente como a segunda maior causa de cancro do pulmão, logo a seguir ao tabaco – e a primeira causa entre não-fumadores. Quando inalado, o radão e os seus produtos de decaimento depositam-se nos pulmões e emitem radiação ionizante que danifica as células pulmonares, aumentando o risco de desenvolvimento de cancro ao longo do tempo.
O risco não é isolado: combina-se com outros fatores. Em fumadores, ou em ambientes com fumo ou poeiras, o efeito do radão é amplificado. É por esta razão que organismos de saúde de todo o mundo classificam o radão como um risco que deve ser mantido tão baixo quanto razoavelmente possível em qualquer espaço onde pessoas passem tempo significativo.
Como entra nos edifícios
O mecanismo de entrada do radão nos edifícios é puramente físico e resulta de uma diferença de pressão. O interior de uma habitação está tipicamente a uma pressão ligeiramente inferior à do solo subjacente – efeito provocado pelo aquecimento interior, pela ventilação e pela ação do vento. Esta diferença de pressão funciona como uma bomba de sucção que “puxa” o gás do solo para dentro do edifício.
As vias de entrada são as descontinuidades em contacto com o terreno: fissuras na laje de fundação, juntas de betonagem mal seladas, pontos de passagem de tubagens e infraestruturas enterradas, e qualquer microfenda na estrutura em contacto com o solo. Uma vez no interior, e sem ventilação adequada que o disperse, o radão acumula-se – particularmente nos espaços mais próximos do solo (caves, garagens, pisos térreos) e durante os meses frios, quando as casas estão mais fechadas e menos ventiladas.
O Radão em Portugal: Onde o Risco é Maior
As zonas graníticas de risco elevado
A concentração de radão no solo está diretamente ligada à geologia do terreno. Os solos e rochas graníticos, ricos em urânio, libertam significativamente mais radão do que os solos sedimentares ou calcários. Em Portugal, várias regiões assentam sobre formações graníticas e apresentam, por isso, níveis de radão tendencialmente superiores à média nacional.
A legislação portuguesa identificou historicamente os distritos de Braga, Vila Real, Porto, Guarda, Viseu e Castelo Branco como zonas graníticas onde a pesquisa de radão é particularmente relevante. Estudos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmam concentrações elevadas em muitos destes locais, e o mapa de suscetibilidade ao radão da APA permite identificar as áreas onde a probabilidade de concentrações acima do nível de referência é maior. As zonas do interior e do norte do país – precisamente as de maior presença granítica – são as que exigem mais atenção.
O que diz a lei
O enquadramento legal do radão em Portugal assenta no Decreto-Lei 108/2018, de 3 de dezembro (na sua redação atual, alterada pelo Decreto-Lei 139-D/2023), que transpôs a Diretiva 2013/59/Euratom e estabeleceu o regime jurídico da proteção radiológica. Este diploma define um nível de referência nacional de 300 Bq/m³ (becquerel por metro cúbico) para habitações e locais de trabalho – o valor de concentração média anual que não deve ser ultrapassado.
Complementarmente, o Plano Nacional para o Radão (aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros 150-A/2022) estabelece objetivos, prazos e metodologias de avaliação, e prevê explicitamente, entre as suas linhas de ação, a definição de normas de construção que impeçam a penetração do radão no interior de edifícios novos. A lei obriga ainda as entidades empregadoras a avaliar a concentração de radão nos locais de trabalho, sobretudo nas zonas de suscetibilidade elevada e em espaços ao nível do solo ou em subsolo.
A lacuna que ainda existe: as habitações
Há um ponto fundamental que importa compreender: a obrigatoriedade legal de medição e remediação foca-se sobretudo nos locais de trabalho. As habitações particulares continuam, na prática, largamente desprotegidas – não existe (ainda) uma obrigação generalizada de medir radão em casas novas ou de as proteger contra o gás.
Esta lacuna não significa que o risco seja menor em casa – significa apenas que a responsabilidade de prevenção recai sobre quem constrói. E é precisamente aqui que reside a oportunidade: para quem está a construir de raiz numa zona de risco, integrar uma solução anti-radão na fase de projeto custa uma fração do que custaria remediar o problema mais tarde, e protege a saúde da família desde o primeiro dia.
Prevenir vs. Remediar: A Diferença Que Muda Tudo

Porque remediar depois é caro e incerto
Quando o radão é detetado numa casa já construída e habitada, as opções de remediação são limitadas, dispendiosas e nem sempre totalmente eficazes. As soluções corretivas típicas incluem a vedação de fissuras e juntas (que raramente é estanque o suficiente), a melhoria da ventilação interior (que aumenta os custos energéticos e o desconforto), e a instalação de sistemas de extração ativa de radão – tipicamente uma despressurização do solo sob a laje, com ventiladores elétricos que funcionam permanentemente, consumindo energia e exigindo manutenção.
Todas estas intervenções implicam trabalhos numa casa habitada, com a perturbação e os custos associados. E, ao contrário de uma solução integrada na construção, atuam sobre os sintomas em vez de eliminarem a causa.
A vantagem de resolver na fundação
A abordagem inteligente é outra: impedir que o radão entre, em vez de o expulsar depois de ter entrado. Isto consegue-se interrompendo o contacto direto entre o edifício e o solo, e criando um espaço ventilado intermédio onde o gás se dispersa antes de chegar ao interior da habitação. É exatamente isto que uma caixa de ar ventilada faz – e por isso é a solução de eleição para construção nova em zonas de risco de radão.
A Solução: Caixa de Ar Ventilada Com Iglu’® e Atlantis
O princípio de funcionamento
A caixa de ar ventilada consiste em elevar o pavimento do piso térreo acima do solo, criando uma câmara de ar contínua entre o terreno e a laje habitável. Esta câmara é ligada ao exterior através de tubos simples, o que estabelece um fluxo de ar natural que atravessa todo o espaço sob o pavimento. O radão que emana do solo, em vez de ser empurrado para o interior da casa, é captado por esta corrente de ar e disperso na atmosfera exterior, onde se dilui até concentrações inofensivas. O mesmo fluxo de ar elimina a humidade ascendente do terreno – um benefício duplo que abordaremos adiante.
O resultado é uma barreira física e dinâmica: física porque não existe contacto direto entre o betão habitável e o solo; dinâmica porque a ventilação contínua remove ativamente o gás antes que ele possa acumular-se.
Sistema Iglu’®
O Iglu’® é uma cofragem perdida modular em plástico, em forma de cúpula apoiada em pés. Os módulos encaixam entre si e são colocados em sequência sobre o terreno, formando rapidamente uma plataforma autoportante sobre a qual se descarrega o betão. O resultado é um pavimento ventilado, apoiado em pequenos pilares de betão, com uma câmara de ar contínua por baixo.
As vantagens do Iglu’® vão além da proteção contra o radão. A sua forma em arco permite a máxima resistência com a mínima espessura, o que reduz drasticamente o consumo de betão e de inertes. O acessório L-Plast permite realizar, com uma única solução, as vigas de fundação e a laje. A montagem é extremamente rápida – com reduções de tempo de mão de obra até 80% face aos sistemas tradicionais de vazio sanitário – e os módulos podem ser cortados para se adaptarem a estruturas fora de esquadria. O espaço sob o pavimento pode ainda ser aproveitado para a passagem de instalações técnicas.
Sistema Atlantis
O Atlantis é a solução indicada quando a profundidade da caixa de ar é demasiado elevada para os módulos clássicos do Iglu’®. Baseia-se em tubos elevadores de diâmetro constante encimados por elementos em cúpula, e permite criar câmaras de ar com alturas que variam entre os 56 cm e os 300 cm. Esta versatilidade torna-o ideal para situações em que é necessário um grande volume sob o pavimento – seja para vencer desníveis do terreno, para alojar instalações técnicas sem as enterrar, ou para criar desvãos termicamente isolados.
Tal como o Iglu’®, o Atlantis garante a eliminação do radão presente no terreno quando corretamente ventilado com canalizações ligadas ao exterior, e proporciona uma adequada barreira contra o vapor de água no pavimento. O diâmetro dos tubos elevadores minimiza o consumo de betão para o enchimento, e a leveza e simplicidade de montagem traduzem-se em ganhos de tempo até 80%.
O duplo benefício: radão e humidade ascendente
Uma das maiores vantagens da caixa de ar ventilada é que resolve simultaneamente dois dos problemas mais sérios das construções em contacto com o solo: o radão e a humidade ascendente. A humidade que sobe do terreno por capilaridade é a origem de inúmeras patologias – paredes húmidas, bolor, degradação de acabamentos, maus odores e desconforto. Ao eliminar o contacto direto entre a estrutura habitável e o solo, e ao ventilar continuamente o espaço intermédio, a caixa de ar impede que esta humidade chegue ao interior da casa.
Por outras palavras, a mesma solução que protege a saúde da família contra um gás cancerígeno protege também a casa contra a humidade e as suas consequências. Um único sistema, dois problemas resolvidos na origem.
Como Saber se Tem Radão em Casa
A medição
A única forma de conhecer a concentração de radão num edifício é medir. A medição faz-se com detetores específicos (tipicamente detetores passivos), colocados no espaço a avaliar durante um período mínimo de três meses. O ideal é realizar a medição durante os meses mais frios do ano, quando as casas estão mais fechadas e a ventilação natural está reduzida – condições em que as concentrações tendem a ser mais elevadas. A medição deve recorrer a entidades reconhecidas pela Agência Portuguesa do Ambiente.
Se o resultado ultrapassar o nível de referência de 300 Bq/m³, devem ser implementadas medidas de mitigação, seguidas de uma nova medição para confirmar a sua eficácia. É um processo que, numa casa já construída, pode tornar-se moroso e dispendioso – mais um argumento a favor da prevenção em fase de obra.
Para quem constrói: medir não chega, é preciso prevenir
Para quem está em fase de projeto ou de construção numa zona de risco, a lógica deve inverter-se. Em vez de construir, habitar, medir e depois remediar caso necessário, a abordagem racional é integrar desde o início uma solução que torne o problema improvável – a caixa de ar ventilada. É uma decisão que tem um custo marginal quando incorporada no projeto, e que elimina a incerteza e a despesa potencial de uma remediação futura.
Erros Comuns Em Relação ao Radão
“Se não cheira nem se vê, não existe”
O erro mais perigoso de todos. A ausência de qualquer perceção sensorial é precisamente o que torna o radão tão traiçoeiro. Não há forma de detetar a sua presença sem medir – e a inexistência de sintomas imediatos não significa ausência de risco a longo prazo.
“Isso é um problema de casas velhas”
Falso. O radão entra em qualquer edifício em contacto com solo de risco, independentemente da idade. Casas novas, se construídas sem proteção adequada, são tão vulneráveis quanto casas antigas – por vezes mais, dado que a maior estanquidade das construções modernas pode dificultar a dispersão natural do gás acumulado.
“A lei não me obriga, logo não preciso de me preocupar”
A ausência de obrigação legal para habitações não elimina o risco para a saúde – apenas transfere a responsabilidade para quem constrói. Construir sem proteção numa zona de risco é uma decisão consciente de não proteger a família contra um cancerígeno conhecido.
“Basta abrir as janelas”
A ventilação por abertura de janelas reduz temporariamente a concentração, mas não é uma solução permanente nem fiável – depende do comportamento dos ocupantes, não funciona com a casa fechada (precisamente quando o radão mais se acumula), e implica perdas energéticas significativas. A caixa de ar ventilada, pelo contrário, funciona permanentemente, sem intervenção e sem consumo energético.
Porquê Escolher a Constreco
A Constreco é a representante da Daliform em Portugal, com acesso à gama completa de soluções para caixas de ar ventiladas – Iglu’® para as situações correntes e Atlantis para câmaras de maior altura – sem intermediários entre o fabricante e o cliente final. Isto traduz-se em preços competitivos, disponibilidade de stock, entrega rápida e suporte técnico especializado durante todas as fases do projeto.
A equipa técnica da Constreco apoia projetistas e empreiteiros na seleção do sistema adequado a cada situação, tendo em conta a profundidade da caixa de ar pretendida, as condições do terreno, os requisitos de ventilação e a geometria do edifício. Para quem procura aprofundar o tema, a documentação disponível sobre sistemas de ventilação cobre as principais soluções de vazio sanitário e as suas aplicações.
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